Pessoas de Negócios
 
terça-feira, 27 de junho de 2017
   eventos   palestrantes   campanhas   currículos   Empresas
 
tv vídeos notícias contato inácia soares
 
   Artigo

 
   Atendimento a Clientes

 
   Carreira

 
   Comunicação

 
   Empreendedor

 
   Etiqueta e postura

 
   Eventos

 
   Gestão de Pessoas

 
   Liderança

 
   Livros

 
   Midias

 
   Negócios

 
   Novos Negócios

 
   Tecnologia

 
 
     Buscar

em  
 
     Últimas Notícias
Encontro de educadores
Ética e Relações de Trabalho
Talentos Invisíveis
Liderança e Reinvenção
Formatura Incubadora Design UEMG
 
[ Todas as notícias ]
 
 
 
 
Notícias
 
Artigo
Ética e Relações de Trabalho

Júlio César Vasconcelos

ARTIGO:

(*) Por Júlio César Vasconcelos

Ética e Relações de Trabalho

Urge como nunca falar e discutir sobre ética no Brasil nos tempos atuais nesse nosso mundo globalizado. Segundo o Relatório 2009 da ONG Transparência Internacional, nosso país ficou classificado (pasmem!) como o septuagésimo quinto País mais corrupto do mundo entre outros 180 países, com 3,7 pontos, numa escala de zero a dez. Lamentavelmente estamos reprovados! O problema é sério e muito sério, e precisa de forma radical ser tratado!

Se voltarmos na linha do tempo, desde os idos de 1500, pela ocasião do descobrimento das terras brasileiras, vemos Pero Vaz de Caminha, em sua famosa carta ao Rei de Portugal, pedindo a Sua Alteza a “gentileza” de conseguir uma “boquinha” para seu genro Osório que se encontrava degredado na África por ter roubado uma igreja e batido no padre: “...Vossa Alteza, que há de ser de mim muito bem servida, a ela peço que, por me fazer graça especial, mande vir da ilha de São Thomé a Jorge de Osório, meu genro, o que de lá receberei em muita mercê...”.

Mais à frente, em 1808, encontramos D. João VI, fugindo da invasão de Napoleão a Portugal e vindo para o Rio de Janeiro, na época com 60 mil habitantes, com toda a família imperial, além de uma enorme trupe de mais de 10 mil pessoas, entre serviçais, puxa-sacos e apadrinhados. Criou-se então a cerimônia do “beija-mão”, ritual por meio do qual os súditos do Rei iam prestar-lhe homenagem, demonstrar submissão e, de quebra, pedir-lhe algum favorzinho para si e para os seus familiares.

O maior problema é que a coisa foi caminhando pela linha do tempo e se alastrou como praga de maneira descontrolada, chegando até os dias atuais, atingindo todos os níveis, independentemente das classes políticas ou sociais.

Como professor, tenho tido oportunidades, as mais variadas, de ver o enorme estrago que a falta de ética produz na sociedade. Normalmente peço aos alunos que descrevam e analisem “cases” onde eles observam o envolvimento de questões éticas no trabalho, na comunidade, na sociedade e em seguida realizamos um seminário para compartilhamento das experiências relatadas. A participação de todos é estimulante, acalorada, mas ao mesmo tempo dramática. Nos relatos, dilemas de meios e destinatários afloram em tomadas de decisões bastante questionáveis. A lógica maquiavélica dos fins justificando os meios, por várias vezes prevalece na prática. Algumas “pérolas” despontam para embasar justificativas lamentáveis:

“Se todos roubam, só eu não vou roubar?”...

”Se o governo cobra impostos abusivos, nós temos mesmo é que sonegar!”...

“É só um pequeno aumento no recibo do táxi para ajudar no salário!”...

Os contra-exemplos são os mais variados, evoluindo de casos aparentemente elementares até os de impacto irremediáveis. Neste rol aparecem relatos de alunos que assinam a lista de presença para colegas que faltaram às aulas, alunos que deixam colegas assinarem trabalhos no qual não tiveram nenhuma participação, tudo isto em nome do companheirismo e da amizade. Aparecem cidadãos que compram CD’s piratas ilegalmente vendidos nas calçadas, profissionais vendendo recibos falsos para abater no imposto de renda, motoristas infratores pagando cerveja para o policial corrupto livrá-los da multa. E ainda, empregados levando pequenos objetos da empresa para casa como se fossem de sua propriedade, secretárias de paróquia pegando dinheiro da sacolinha do padre às escondidas, para resolver problemas particulares e por aí segue uma lista interminável. Em níveis mais avançados, surgem imagens retratando  quantidades enormes de dinheiro público, escondidos em meias, cuecas e malas, verbas desviadas com concubinas e viagens para inauguração de obras eleitoreiras, políticos vendo suas contas bancárias inflarem de maneira acelerada com dinheiro proveniente de verbas indenizatórias, benesses e propinas deslavadas.  Até a religião, que deveria ser um marco da moralidade, aparece desgradaçamente nos relatos, traindo seus fieis signatários, com enormes quantias de dinheiro fugindo do país em malas abarrotadas e crianças sendo, de maneira covarde, sexualmente molestadas.

Após o seminário, normalmente surge uma sensação de desconforto, interrogação e de uma necessidade imperativa de mudar. Surge então no ar uma pergunta que não quer se calar: Como podemos cobrar lisura dos nossos representantes, se grande parte dos cidadãos não tem a coerência necessária entre seus julgamentos, cobranças e atos? As eleições estão aí, como e quem nós vamos eleger para nos representar?

A conclusão surge de maneira traumática: é necessário rever urgentemente nossos princípios, nossos valores, nossas atitudes e nossos hábitos! Se quisermos de fato mudar este nosso país, temos que começar pela base, e esta base está dentro de nós e somente nós podemos mudá-la. Precisamos urgentemente que a ética moral, respaldada em princípios e valores sólidos prevaleça sobre a amoral e sobre a imoralidade. Em meio a tanto impropério e falta de integridade, vale a pena repetir o belíssimo verso da poetiza Eliza Lucinda, “Só de Sacanagem”:

“A luz é simples, regada aos conselhos simples de meu pai, minha mãe, minha vó e os justos que o precederam: não roubarás, devolva o lápis do coleguinha, este apontador não é seu meu filho...Pois bem se mexeram comigo, com a velha e fiel fé do meu povo sofrido, então agora eu vou sacanear, mais honesto ainda eu vou ficar, só de sacanagem...Sei que não dá para mudar o começo, mas se a gente quiser vai dar para mudar o final!...”.

(*) Por Júlio César Vasconcelos, consultor organizacional

E-mail: jcesarvasconcelos@yahoo.com.br
Blog: http://geogente.wordpress.com/

 
 
Todos os direitos reservados à
Pessoas de Negócios © 2008

Termos de uso

   
 


TV HORIZONTE

Programa Mesa de Negócios
Av. Itaú, 515 - Dom Cabral / BH - MG
Cep.: 30.535-910


E-mail: tv@mesadenegocios.com.br
TV Inácia Soares Carreira Tecnologia
Apresentação Eventos Comunicação Contato
TV Horizonte Palestrantes Empreendedor  
Próximo Programa Campanhas Etiqueta e postura  
Assista ( Vídeoteca ) Currículos Gestão de pessoas
Programas Anteriores Empresas Liderança
Depoimentos Vídeos Livros
Exibição Notícias Midias
Cenário Artigos Negócios
Equipe Atendimento a cliente Novos Negócios